Direto do bloquinho
Após inúmeros posts "meu querido diário", coloco mais uma experimentação (sem título, podem palpitar) saída direto do meu bloquinho. É, um bloquinho mesmo, desses de papel reciclado, que carrego comigo pra todo lugar, que moleskine é pra gente chique, talentosa e publicada como meus amigos Paulo Ferraz e Virna Teixeira.
Mais uma vez os tomates, café-com-leite que são, aguardam as benditas críticas até porque essas experimentações maiorzinhas, como já dissemos aqui antes, não conseguem atingir a maioridade nem a pau! Contudo, como não somos poetas mesmo...
(sem título)
Parece assim,
um atleta de
rijos músculos
enforcado em
ternos cinzas,
de tradição impregnado.
Um intelectualóide com idéias
de mil sóis, línguas
impecáveis, hor d´oeuvres
e livros.
Assim é,
um Kerouac
com vírgulas em excesso,
verborrágica metralhadora
- de brinquedo-,
um Peter Pan sem
Sininho
Olhares nublados.
Drummond sem modernismo,
pós-moderno espetado por aspas.
Refinado restaurant,
um atleta de
rijos músculos
enforcado em
ternos cinzas,
de tradição impregnado.
Um intelectualóide com idéias
de mil sóis, línguas
impecáveis, hor d´oeuvres
e livros.
Assim é,
um Kerouac
com vírgulas em excesso,
verborrágica metralhadora
- de brinquedo-,
um Peter Pan sem
Sininho
Olhares nublados.
Drummond sem modernismo,
pós-moderno espetado por aspas.
Refinado restaurant,
a mesma comidinha morna
de ontem.
de ontem.
*** "Big Sand", Hardkandy.
P.S: Amanhã tem lançamento d'O CASULO na Biblioteca Alceu Amoroso de Lima (Rua Cardeal Arcoverde esquina com Av. Henrique Schaumman, Pinheiros) às 20:00 horas. Estaremos lá para parabenizar o Eduardo Lacerda, a Andréa Cátropa e o Victor Del Franco, dentre outros.


6 Comments:
Poema bacana! Dialoga bem com aquele assunto das referências num poema que conversamos!!!
beiJardins
Maroca!
tá legal sim, passei rapidinho para ler o post: saio agora mesmo para passear com ursos.
comentarei o poema depois com calma.
mas gostei. e chega de homens de terno - prefira-os sem nada.
beijos!
eu não me referia a nenhum poema específico... falava do nosso papo sobre o excesso de referências na poesia contemporânea... nesse caso vc acabou optando por essa linha... acho válido, mas não exagere... hehe!
sobre aquela idéia do meu poema, acho que chamar de "trocadilho" é reduzir demais... mas tudo bem, o que conta é o que parece a quem me lê(sem trocadilho dessa vez)... hahaha !
bjs queridos
hm, gosto. e imagino que aconteça muito.
( esse papo do jardim, acho que eu lembro, mas as referencias que você usou são bem universais, nada que fossa atrapalhar o entendimento de ninguém...)
bjo!!!
Legal, Carol, olha que a idéia da gravata que enforca é minha, hein? (como se não fosse óbvio, hahaha, desde os bailes de debutante já éramos espertos, depois que ficamos idiotas; não, durante).
Mas pequenos cuidados nas outras línguas, o google é bem útil e me informa: hor d'oeuvre.
O caminho é esse mesmo, não tem muito jeito, da mimesis à poiesis, será? se bem que Anna Holtz acabou me desapontando por não existir - será que não existirei por ser um mero plagiador? Questões melhor deixadas para clarice resolver, que temos mais com o que nos preocupar. Verborrágica metralhadora, por exemplo, valeria substituir, é meio lugar-comum. Bjo.
Valeu, Gê! Considerações invariavelmente lúcidas. Pensarei sobre tudo isso.
Línguas: se eu te disser que tomei o cuidado de checar você acredita? Afinal, google é meu pastor e nada me faltará. Creio que deve haver milhões de imbecis metidos a falar francês como eu pelo mundo, porque GODgle me disse que havia aproximadamente x entradas com a tal palavra escrita assim do jeito que coloquei. Vou corrigir, de qualquer forma. Obrigada pelo toque.
Sobre a metralhadora, concordo. Aliás, acho a experimentação toda muito lugar comum. Daí que não me levo a sério, é impossível. Acho que sou lúcida demais pra me auto-entitular "poeta", que isso é coisa pra quem tem talento e estudou muito a obra dos grandes antes de se atraver a superá-los. Eu, boboca que sou, não tenho tino nem pra plagiar, nem pra superar. Tampouco cara-de-pau como uns por aí que saem batendo no peito como um orangotando com soluços que são "poetas". De marketing meia-boca bastam os reclames das Casas Bahia.
Mas seguimos vomitando, que baleias sempre precisam vir à tona pra não fracassar.
Küssen!
Carol
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