Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

8.3.07

Mas eis que chega a roda viva...













Hoje os tomates foram com os peixes espiar a vida fora do aquário. Muita gente revoltada com a visita do senhor do IV Reich. Ainda mais gente indignada com o preço do transporte público, com a falta de casa, comida, terra, saúde e educação decentes. Outras tantas maldizendo a corrupção, a polícia, o descaso com o meio ambiente, etc. Algumas só queriam chegar em casa: "Brasileiro não sabe protestar sem fazer baderna. Por que não vão protestar na frente do hotel do homem? Pra quê interditar a Paulista? Agora os ônibus não podem passar e eu vou chegar em casa tarde...". Uns velhinhos achavam que isso é coisa de jovens bobocas: "Mas, meu filho, isso não adianta! Vocês vão pra casa e a gente vai continuar tendo que pagar R$ 2,30 por essa porra! Sabe o que adianta? Só bala, me entende? Só metendo bala." Uma velhinha de sessenta e poucos anos preocupada com os netos: "Eu consegui, mas tenho cinco filhos e seis netos. Como eles vão viver, me diz? Não vão ter comida, não vão ter água, não vão ter casa. O que vai ser deles?" Gente sendo atropelada na nossa frente, gente machucada, gente que teve os tendões da panturrilha destroçados pelas balas de borracha da polícia, gente com olhos vermelhos do gás de pimenta, gente enrolando bandeiras, gente empunhando bandeiras, gente com cacetete na mão, com arma na mão, gente de olhos assustados, gente de rostos sorridentes, gente protestando no seu dia, gente defendendo a pena capital, gente dizendo que a FNAC é um luxo, que cinema é muito caro, gente prometendo mais para amanhã. Gente. Ouvimos muitas coisas. Vimos ainda mais. Qualquer dia, quando os tomates pararem de quebrar os dentes e começarem a se sentir menos impotentes, tentarão escrever um conto ou um poema sobre os arrepios dessa noite calorenta de março. Por enquanto, fiquem com as fotos e o poema do Brecht.

Os tempos
(Dificuldade de governar)

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os
ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de
crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse
tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra
nunca mais haveria guerra.
E atrever-se-ia a nascer o sol
sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
ele nasceria por certo fora do lugar.
É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam e
as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo sem
as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
de outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados?
E que seria da propriedade rural
sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia
centeio onde já havia batatas.
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão
esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua
máquina
E se o camponês soubesse distinguir um
campo de uma forma para tortas
não haveria necessidade de patrões
nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes?
Ou será que governar
só é assim tão difícil porque
a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?
P.S.1: Valeu, Aninha!
P.S.2: As três primeiras fotos são do UOL.
*** "Roda Viva", Chico Buarque (porque hoje não dava para ouvir outra coisa).

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

oi, girl!

ficaram ótimas as fotos, pois é, zumbizonas e olha que a semântica disso é forte. me escreveram exatamente hj a mesma coisa, as pessoas pararam de dormir. esperava que fosse outra coisa.

beijos

sexta-feira, março 09, 2007 11:19:00 AM  

Postar um comentário

<< Home

alive-history
alive-history