Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

27.4.07

Alice


"If you'll believe in me, I'll believe in you", said Alice.

She'll let you in her house, if you come knockin' late at night. She'll let you in her mouth, if the words you say are right. If you pay the price, she'll let you deeper inside. She'll let into parts of herself and maybe that'll bring you down. But she's let you in her heart, without a hammer and a vise, and you've gone a million miles: how far have you gotten to that place where you can't remember anymore? She doesn't care, as long as you come back and believe. Just believe.

*** "Love is a game", The magic numbers.

25.4.07

[Editado] Veja a carta da Ana Rüsche aqui (post de 25.04.2007), cuja resposta segue abaixo.
Amoreco ruivo,
Sim, eu sorri com o teu post, não aquele sorriso fácil, que os dias desse lado do front andam difíceis há algum tempo e me sinto enclausurada nessa minha pele frágil e inundada de questões insolúveis. E não me acostumo com isso, é inútil. Mas como você bem disse, o humor é cediço e sorrisos às vezes têm essa estranha capacidade de tornar nossos dias mais leves.
Sinto ter perdido o lançamento ontem, mas tenho passado horas interrogando páginas brancas que já não têm muito significado para mim. Isso me soa tão estranho, porque costumava ser um sonho pelo qual muito lutei- você acompanhou tudo muito de perto, lembra? Coisas de taurina em pleno inferno astral (risos) ou então de uma criatura naturalmente melancólica que anda preferindo o anonimato em algum país exótico: sem referências, sem passado, sem expectativas. Alguns meses nessa condição me fariam bem, acho eu (note bem que o drama me é inerente, nada da pragmaticidade de certas virginianas advogadas!).
Além disso, sempre há os velhos fantasmas apodrecendo no armário, mordiscando nosso pescoço aqui e acolá. Por isso alguns poemas tortos têm escapado nessas madrugadas insones, não tão bons quanto os teus, que isso seria pretensão além das minhas, mas eles cumprem sua função e me dão oxigênio para respirar entre tantas bombas de gás. E ainda é verão por aqui, daí aquele último poema que, para a minha felicidade, despertou algo em você. Aliás, não sei se te disse, mas o escrevi depois de ler os teus, fantásticos como sempre.
No mais, mamãe me disse ontem que não sei aceitar elogios. Talvez ela tenha razão. Contudo, ando mesmo incomodada com minha fama de excessivamente boazinha, como se isso fosse uma falha imperdoável de caráter, denotasse uma certa ingenuidade inexistente ou então a ausência de neurônios aptos a exercer a dialética a contento. Eu te pergunto: que mal há em ter um interesse quase que acadêmico por pessoas, ser-lhes solícita quando possível, desvendar-lhes parte da alma? (Veja bem que isso ainda é privilégio concedido às poucas pessoas que estão nas proximidades). Não entendo, possuo uma natureza geralmente calma e sou adepta do 'pay it foward', sabe? Não compreendo porque isso soa tão incoveniente para algumas pessoas.
Porém, deixemos isso no baú, que conversas assim ficam bem melhor naquelas nossas infinitas mesas de bar ou no divã do analista.
Apesar desse amontoado de pequenas angústias e demonstrações da fragiliade humana, seguimos em frente, nem sempre vivazes, que a vida muitas vezes nos engole pelas pernas, mas sorrindo cada vez que uma amiga queridíssima nos escreve contando as novas ou deixa a armadura de lado para dizer o que sente, afinal, é feita de sonhos, carnes e hormônios também.
Sobre a Manu, ela está no Rio e segue para Salvador a trabalho. Anda muito taciturna e tão ou mais melancólica do que eu. Na verdade, Gracinha e eu gostaríamos de convidar você, amoreco ruivo, para nos acompanhar numa visita médico-gastronômica para a Manu e a mãe dela, que continua acamada, tão logo ela retornar a São Paulo. Sua presença é muito importante.
Fico por aqui, pois as tais páginas brancas estão a gritar desesperadamente e voltei a ter visões com as personagens da "Traumnovelle" do Schnitzler, justo ele cujas obras causavam pavor em Freud.
Beijos.
*** "La vie en rose", Louis Armstrong e Ella Fitzgerald.

13.4.07

A triste atualidade dos clássicos

* Mais aventuras fotográficas da Páscoa.



"No princípio existia o nada, um espaço imenso e árido. Aparece o Caos, desorganizado e inusitado. Depois de um tempo, quando o Caos perdia seu ritmo, surge GAIA (Géia), a Terra, a primeira realidade sólida. Depois veio a noite, mas ainda restava um espaço vazio imenso sobre GAIA. Sentindo-se sozinha cria um companheiro igual a ela : o Céu (Urano). Apaixonando-se por GAIA, Urano a cobre e se amam. Desta união surgem muitos filhos, violentos e tempestuosos, entre eles os Titãs, as fúrias da natureza. Quando o caos estava organizado, com todas as divindades e elementos primordiais (fogo, terra, ar e água), foi chamado de Cosmos. Urano, pai de todas as criaturas, via que era bom o que criava, mas também havia filhos terríveis e imperfeitos. Inconformado com sua criação hedionda, despedaçava esses filhos errados e ativava-os no Tártaro, o mundo subterrâneo, nos infernos.
Ainda fecundava GAIA para tentar ter outros filhos perfeitos. Como a fecundava incessantemente, eram geradas criaturas horríveis, que ele jogava no Tártaro ou enfiava novamente no útero de GAIA, e a fecundava novamente. Urano enlouquecera e ela não conseguia destruí-lo. Um dos filhos de Urano e GAIA se revoltava com esta situação. Saturno (Cronos), filho mais jovem desta união, odiava seu pai por matar seus irmãos e, principalmente, por desrespeitar sua mãe. Cansada de ter filhos imperfeitos e percebendo que o caos poderia voltar, faz uma foice com materiais tirados de dentro da Terra. Pede que seus filhos matem seu pai, fazendo voltar o mundo organizado. Nenhum deles se prontifica, mas Saturno, o mais revoltado deles, aceita a missão que poria fim ao caos. A pedido de sua mãe, castra seu pai Urano. Ao conseguir castrá-lo, interrompe o ciclo de reprodução caótica de seu pai e assume o trono do mundo. Casa-se com sua irmã Cibele (Réia) e tem vários filhos, entre eles Vesta, Ceres, Juno, Plutão, Netuno e Júpiter. Reinando com tirania e crueldade, faz o mundo crescer e se tornar rico e fértil, mas à custa da dor e sofrimento dos homens. Em visita a um oráculo, é profetizado que ele perderia o trono para um de seus filhos, que o trairia assim como ele fizera com seu pai.
Assim como seu pai, Saturno enlouquece, alucinando com a possibilidade de perder seu trono para seus jovens filhos, irresponsáveis e imaturos, e temendo perder o poder e o controle do mundo. Começa então a devorar seus filhos para assim impedir que eles o destronassem. Sua mãe, Gaia, evita que Saturno devore o neto predestinado Júpiter (Zeus). Envolvendo uma pedra num pano, Gaia oferece a Saturno dizendo ser Zeus. Ao engolir a pedra vomita os outros filhos e inicia-se uma batalha que dura dez anos entre ele e seus filhos Júpiter, Netuno e Plutão. Ao fim da luta, Júpiter e seus irmãos Netuno (Poseidon) e Plutão (Hades) repartem a universo. A Júpiter (Zeus), o mais forte e valoroso, cabe domínio sobre os céus e a terra, criando o Olimpo, a morada dos deuses, tornando-se ele deus dos deuses. A Netuno são entregues os mares, enquanto a Plutão cabe o mundo subterrâneo e os infernos. Saturno é enviado ao Tártaro, de onde ressurgiria numa nova idade de ouro da humanidade".
(O livro de ouro da mitologia).
E depois alguns dizem que Plutão foi rebaixado e que os clássicos não têm qualquer relação com essa pós-modernidade, o que quer que ela signifique para vocês.
*** "Neon Bible", Arcade Fire.

11.4.07

Blues

*Aventuras fotográficas da Páscoa.


Nas últimas semanas ando escavando o meu parco alemão, há muito engessado. Culpa dessas criaturas mitológicas e do Woyzeck postado nos Doces Enjoativos pela Fräulein Rüsche há alguns dias. Daí que acabei lembrando de um Celan que lia quase que diariamente há um tempo atrás, nos tempos em que era uma mocinha interiorana, quotidiana e quase tributável. Leiam.
Vor dein spätes Gesicht,
allein-
gängerisch zwischen
auch mich verwandelnden Nächten,
kam etwas zu stehn,
das schon einmal bei uns war, un-
berührt von Gedanken.
Diante do teu rosto tardio,
único –
caminhando entre
noites que também me transformam,
algo veio para ficar
que já esteve uma vez conosco, in-
tocado por pensamentos.
*** "Porque era ela, porque era eu", Chico Buarque.

6.4.07

Um futuro promissor

São José do Rio Preto, 10 de novembro de 1989. Nesta data eu tinha 10 anos, estava na quarta série de um renomado colégio dirigido por freiras, usava um tenebroso aparelho e já estava há alguns anos traçando um brilhante caminho no balé clássico e na natação. No primeiro, ao contrário das minhas coleguinhas de turma, usava sapatilha de ponta e estava escalada para ser a primeira bailarina de um dos atos das "Quatro Estações", de Antonio Vivaldi.
Na natação, tinha voltado de um campeonato com uma linda medalha de ouro no pescoço: campeã regional dos 50 metros nado crawl, numa categoria delicadamente chamada "dente-de-leite". Faltavam só duas coisas: ser considerada boa também em poesia e fazer o Bruno olhar para mim com olhos mais amistosos que não os de piedade por eu ser uma nerd chatinha e desengonçada.
Bom, o Bruno é um dos meus melhores amigos até hoje e a poesia, bem, acho que os elogios depois desse primeiro poema me fizeram muito mal. Na ocasião, porém, fui agraciada com o primeiro lugar no concurso municipal "Jovem Escritor", categoria poesia infantil. Olhem só que coisa mais meiga! Acho que eu tive mesmo um futuro promissor, mas algo muito errado deve ter acontecido no caminho.
Liberdade
Oi, amigo, vim
falar da liberdade
que é doce como a amizade,
Vim falar de
um sonho lindo,
que é imenso e florido
Vou dizer-te da
esperança, que
cresce como uma criança
E tudo isso e
muito mais, não
chega à liberdade
que queres mais.
Um dia me disseram
que a liberdade não
tem preço, mas tu
estais chorando porque a
queres de qualquer jeito!
Tudo isso não expressa
a liberdade que quero dizer,
pois quando ela vai
embora, não promete
voltar no amanhecer.
Vivas à liberdade!
*** "Regret", New Order.
P.S: Frase em um documentário sobre o aquecimento global: "A família carbono não é má, ela só não sabe o que faz (despeja 50 toneladas de CO2 na atmosfera todos os anos)". Qualquer semelhança com a frase bíblica "perdoe-os, meu Pai, eles não sabem o que fazem", não é mera coincidência.
Depois meu gastro fica se questionando como uma menina da minha idade pode ser tão estressada e ter todos os problemas gástricos que um ser humano pode ter...
Boa Páscoa para vocês também.

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