Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

25.4.07

[Editado] Veja a carta da Ana Rüsche aqui (post de 25.04.2007), cuja resposta segue abaixo.
Amoreco ruivo,
Sim, eu sorri com o teu post, não aquele sorriso fácil, que os dias desse lado do front andam difíceis há algum tempo e me sinto enclausurada nessa minha pele frágil e inundada de questões insolúveis. E não me acostumo com isso, é inútil. Mas como você bem disse, o humor é cediço e sorrisos às vezes têm essa estranha capacidade de tornar nossos dias mais leves.
Sinto ter perdido o lançamento ontem, mas tenho passado horas interrogando páginas brancas que já não têm muito significado para mim. Isso me soa tão estranho, porque costumava ser um sonho pelo qual muito lutei- você acompanhou tudo muito de perto, lembra? Coisas de taurina em pleno inferno astral (risos) ou então de uma criatura naturalmente melancólica que anda preferindo o anonimato em algum país exótico: sem referências, sem passado, sem expectativas. Alguns meses nessa condição me fariam bem, acho eu (note bem que o drama me é inerente, nada da pragmaticidade de certas virginianas advogadas!).
Além disso, sempre há os velhos fantasmas apodrecendo no armário, mordiscando nosso pescoço aqui e acolá. Por isso alguns poemas tortos têm escapado nessas madrugadas insones, não tão bons quanto os teus, que isso seria pretensão além das minhas, mas eles cumprem sua função e me dão oxigênio para respirar entre tantas bombas de gás. E ainda é verão por aqui, daí aquele último poema que, para a minha felicidade, despertou algo em você. Aliás, não sei se te disse, mas o escrevi depois de ler os teus, fantásticos como sempre.
No mais, mamãe me disse ontem que não sei aceitar elogios. Talvez ela tenha razão. Contudo, ando mesmo incomodada com minha fama de excessivamente boazinha, como se isso fosse uma falha imperdoável de caráter, denotasse uma certa ingenuidade inexistente ou então a ausência de neurônios aptos a exercer a dialética a contento. Eu te pergunto: que mal há em ter um interesse quase que acadêmico por pessoas, ser-lhes solícita quando possível, desvendar-lhes parte da alma? (Veja bem que isso ainda é privilégio concedido às poucas pessoas que estão nas proximidades). Não entendo, possuo uma natureza geralmente calma e sou adepta do 'pay it foward', sabe? Não compreendo porque isso soa tão incoveniente para algumas pessoas.
Porém, deixemos isso no baú, que conversas assim ficam bem melhor naquelas nossas infinitas mesas de bar ou no divã do analista.
Apesar desse amontoado de pequenas angústias e demonstrações da fragiliade humana, seguimos em frente, nem sempre vivazes, que a vida muitas vezes nos engole pelas pernas, mas sorrindo cada vez que uma amiga queridíssima nos escreve contando as novas ou deixa a armadura de lado para dizer o que sente, afinal, é feita de sonhos, carnes e hormônios também.
Sobre a Manu, ela está no Rio e segue para Salvador a trabalho. Anda muito taciturna e tão ou mais melancólica do que eu. Na verdade, Gracinha e eu gostaríamos de convidar você, amoreco ruivo, para nos acompanhar numa visita médico-gastronômica para a Manu e a mãe dela, que continua acamada, tão logo ela retornar a São Paulo. Sua presença é muito importante.
Fico por aqui, pois as tais páginas brancas estão a gritar desesperadamente e voltei a ter visões com as personagens da "Traumnovelle" do Schnitzler, justo ele cujas obras causavam pavor em Freud.
Beijos.
*** "La vie en rose", Louis Armstrong e Ella Fitzgerald.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Traumnovelle

toc, toc, duas marocas.

beijos, amiga

quarta-feira, abril 25, 2007 5:57:00 PM  

Postar um comentário

<< Home

alive-history
alive-history