Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

23.10.09

Inédito

inédito:

1. que não foi publicado: um documento inédito.
2. novo, original: um filme inédito.



Ballad of sad cafe

I

Eros e Tanatos.
Dizem que dançam
fox-trot desde que
o sol deitou sobre
o mar de Mykonos:
Fiat lux.

Então, querido, antes
que chicotes floresçam
na palma das mãos
e a mágoa apodreça o ar
Antes ainda da pena,
do desgosto, das línguas de fogo
antes que restem somente
assobios, olhares de chumbo
Que oceanos se
suicidem na areia.

II

Não. Beijo, mordo
nos flancos, injeto
primaveras no peito:
E.V.
O músculo entoará
cânticos - lírios -
mezzo-soprano.
Sabe: não embarco
naquele trem.

III

Os amores mais brilhantes
apagam. O sol de maio
impõe suplícios. Torturas,
amarras, ataduras.
Cicatrizes jamais lacradas:
Xanax.

IV

Beijo.
O universo perece. Sei.
Escravizo espíritos:
Assim.

*** "More than you know", Jane Monheit.

20.10.09

The invention of solitude

Marc Chagall, Self portrait with muse.
“Everything can change at any moment, suddenly and forever."
Paul Auster.
*** "Surround me", 3-11 Porter.

14.10.09

From Sarajevo

Safet Zec - Embraces Series (Oléo sobre tela, 1995).
A temporada nos Bálcãs tem sido enriquecedora em inúmeros sentidos - apesar de estar por aqui por razões nada turísticas. A cada segundo me apaixono mais pela região e, mais especificamente, por Sarajevo. Mais de dez anos após a guerra e a despeito das obras frenéticas por toda a parte, ainda há um cheiro de chumbo no ar. A arte por aqui é, como não poderia deixar de ser, pungente, impregnada de sangue, gritos e dores. Impactante, eis a melhor definição.
Dessa forma, apresento o artista plástico Safet Zec, natural de Sarajevo, cujas obras são capazes de capturar a atenção do mais idiota dos mortais; e o poeta e dramaturgo Goran Simic. Divirtam-se!
The Face of Mourning
Well I know mournings's face
whom the Sarajevo wind strafes
while flipping through newspaper pages
stuck together from pools of blood
on the street where I awkwardly watch
my steps with a small loaf of bread under my arm.
It's in the river too
when its waves sway a dead woman's body
on whose arm I notice a watch
as I run across the bridge with a bucket full of milk.
And, in the chill of December, I saw that face in a hand motion
that stuffed a shoe of a never grown child
into a wood-burning stove.
It's a face that returns its thanks on the back of family photographs
that flutter beneath garbage trucks.
And it is the face that rebukes a trembling pencil
for being incapable of writing a bulky dictionary of lament.
A face which nightly keeps me from sleeping
which is why I watch my neighbor
who is always awake by the window
staring into the blind darkness.
*** "Moj dragi", Jelena Karleusa.

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