Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

31.3.07

Miscelânea

Rapidinhas pra esfriar (ou não!) esse final de semana de calor inclemente nessa cidade de zumbis:
i) A Manu linda mandou notícias da França! Tá curtindo um frio ferrado em Paris e disse que está louca de saudades do calor dos trópicos, vai entender. Falei pra ela parar de frenqüentar aqueles cafés todos e ir logo pro Moulin Rouge dançar no balcão. A gente agradece! E os franceses também, merci.
ii) O Dragão na Janela é outro que está prestes a nos deixar rumo à terra dos brioches. Antes faz um mochilão bááááásico pela Europa que gente chique é outra coisa e sempre paira acima dos mortais. Ouvi rumores que além de estar fazendo aulas intensivas de línguas exóticas como alemão, russo e polonês, está com planos altamente complexos de dominação do mercado editorial brasuca.
iii) Daqui a pouco tem a festa "A torre" do figura do Del Candeias (Rua Mourato Coelho, 569, Pinheiros). Os tomates estão meio murchinhos, mas vão porque o Dedel ameaçou atormentar nosso sono, puxar nossos pés da cama e colocar Armandinho pra tocar até o final das nossas vidas se não formos. Vamos nós discutir com o cara?
iv) Os Gracildos fofíssimos vão tomar cerveja com os tomates e vão acompanhá-los na festa, porque os Gracildos são gracinhas e ponto. Adoramos. A Ana Rüsche e os Ursos, claro, vão também ver se a tal torre cai ou não cai.
v) O lançamento do Casulo ontem foi animal! Veja a cobertura completa no Peixe de Aquário.
vi) E hoje é dia de "Nina Simone Remixed and Reimagined", sonzinho bom que traz os clássicos da Nina remixados, uma coisa que vai do lounge ao eletric jazz. O CD é fantástico, muito embora não seja nem de longe o melhor tributo prestado à Nina. Os musicólatras agradecem, anyway.
vii) Nairóbi, aqui vamos nós!

29.3.07

Direto do bloquinho

Após inúmeros posts "meu querido diário", coloco mais uma experimentação (sem título, podem palpitar) saída direto do meu bloquinho. É, um bloquinho mesmo, desses de papel reciclado, que carrego comigo pra todo lugar, que moleskine é pra gente chique, talentosa e publicada como meus amigos Paulo Ferraz e Virna Teixeira.
Mais uma vez os tomates, café-com-leite que são, aguardam as benditas críticas até porque essas experimentações maiorzinhas, como já dissemos aqui antes, não conseguem atingir a maioridade nem a pau! Contudo, como não somos poetas mesmo...
(sem título)
Parece assim,
um atleta de
rijos músculos
enforcado em
ternos cinzas,
de tradição impregnado.
Um intelectualóide com idéias
de mil sóis, línguas
impecáveis, hor d´oeuvres
e livros.

Assim é,
um Kerouac
com vírgulas em excesso,
verborrágica metralhadora
- de brinquedo-,
um Peter Pan sem
Sininho
Olhares nublados.
Drummond sem modernismo,
pós-moderno espetado por aspas.

Refinado restaurant,
a mesma comidinha morna
de ontem.
*** "Big Sand", Hardkandy.
P.S: Amanhã tem lançamento d'O CASULO na Biblioteca Alceu Amoroso de Lima (Rua Cardeal Arcoverde esquina com Av. Henrique Schaumman, Pinheiros) às 20:00 horas. Estaremos lá para parabenizar o Eduardo Lacerda, a Andréa Cátropa e o Victor Del Franco, dentre outros.

20.3.07

Bye, bye Manuzita!



A Ana Rüsche dedicou um post pra queridíssima Manu e os tomates, óbvio, não podiam ficar de fora dessa por dois motivos muito simples: i) os tomates amam a Manu demais e vão morrer de saudade dela (a chiquérrima está indo pra Europa!); ii) a Manu, a AnaR. e os tomates fazem um trio arrasador, de potência só comparável a uma bomba atômica. Explico: falamos muito, sem parar; sobre tudo, em qualquer lugar; gargalhamos histericamente madrugadas adentro; ganhamos mojitos da vitória (né, Manu?) nessas salsas da vida; dançamos em balcões de bares de teatros alternativos; os DJs nos tiram pra dançar nos finais das baladas; gritamos das janelas dos carros; falamos mal da vida alheia; amamos o Jameson (não o whiskey, crianças!); gostamos de avacalhar a pós-modernidade (aspas, aspas, aspas); adoramos o George Michael e o Ricky Martin (delíííícia!); sabemos as músicas da Talía na ponta da língua; fazemos beicinhos; dizem por aí que não gostamos de drama (há controvérsias!); gostamos de homens hum, er, exóticos, hahahá; fazemos jantares de lulus aos sábados à noite só pra estarmos perto umas das outras; temos fotos bizarras como essa aí de cima aos montes; freqüentamos festinhas suspeitas em apês idem; ligamos umas pras outras chorosas e pedindo colo e, finalmente, escrevemos posts confessionais quando sentimos que vamos ficar meio abandonadas por uns tempos!
É isso aí, linda! Bon voyage! Traga muitas histórias na mala.
*** "El cuarto de Tula", Buena Vista Social Club.



18.3.07

Hilda, sempre Hilda

"Eros e Psyché", Antonio Canova. Musée du Louvre, Paris.

LXXV
As maçãs ao relento. Duas. E o viscoso
Do Tempo sobre a boca e a hora. As maçãs
Deixei-as para quem devora esta agonia crua:
Meu instante de penumbra salivosa.
As maçãs comi-as como quem namora. Tocando
Longamente a pele nua. Depois mordi a carne
De maçãs e sonhos: sua alvura porosa.
E deitei-me como quem sabe o Tempo e o vermelho:
Brevidade de um passo no passeio.
*** "O mundo é um moinho", Cartola.
P.S: Porque é cinza aqui dentro e amanheci ouvindo Cartola.

11.3.07

Espera

"Dans le lit", Toulouse-Lautrec.


Espera
De repente, uma Hiroxima.
Silêncio.
Como Einstein, nada além daquele dia.
Somente reticências,
anseiando a sexta-feira.
*** "Heart in a cage", The Strokes.

8.3.07

Mas eis que chega a roda viva...













Hoje os tomates foram com os peixes espiar a vida fora do aquário. Muita gente revoltada com a visita do senhor do IV Reich. Ainda mais gente indignada com o preço do transporte público, com a falta de casa, comida, terra, saúde e educação decentes. Outras tantas maldizendo a corrupção, a polícia, o descaso com o meio ambiente, etc. Algumas só queriam chegar em casa: "Brasileiro não sabe protestar sem fazer baderna. Por que não vão protestar na frente do hotel do homem? Pra quê interditar a Paulista? Agora os ônibus não podem passar e eu vou chegar em casa tarde...". Uns velhinhos achavam que isso é coisa de jovens bobocas: "Mas, meu filho, isso não adianta! Vocês vão pra casa e a gente vai continuar tendo que pagar R$ 2,30 por essa porra! Sabe o que adianta? Só bala, me entende? Só metendo bala." Uma velhinha de sessenta e poucos anos preocupada com os netos: "Eu consegui, mas tenho cinco filhos e seis netos. Como eles vão viver, me diz? Não vão ter comida, não vão ter água, não vão ter casa. O que vai ser deles?" Gente sendo atropelada na nossa frente, gente machucada, gente que teve os tendões da panturrilha destroçados pelas balas de borracha da polícia, gente com olhos vermelhos do gás de pimenta, gente enrolando bandeiras, gente empunhando bandeiras, gente com cacetete na mão, com arma na mão, gente de olhos assustados, gente de rostos sorridentes, gente protestando no seu dia, gente defendendo a pena capital, gente dizendo que a FNAC é um luxo, que cinema é muito caro, gente prometendo mais para amanhã. Gente. Ouvimos muitas coisas. Vimos ainda mais. Qualquer dia, quando os tomates pararem de quebrar os dentes e começarem a se sentir menos impotentes, tentarão escrever um conto ou um poema sobre os arrepios dessa noite calorenta de março. Por enquanto, fiquem com as fotos e o poema do Brecht.

Os tempos
(Dificuldade de governar)

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os
ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de
crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse
tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra
nunca mais haveria guerra.
E atrever-se-ia a nascer o sol
sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
ele nasceria por certo fora do lugar.
É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam e
as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo sem
as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
de outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados?
E que seria da propriedade rural
sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia
centeio onde já havia batatas.
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão
esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua
máquina
E se o camponês soubesse distinguir um
campo de uma forma para tortas
não haveria necessidade de patrões
nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes?
Ou será que governar
só é assim tão difícil porque
a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?
P.S.1: Valeu, Aninha!
P.S.2: As três primeiras fotos são do UOL.
*** "Roda Viva", Chico Buarque (porque hoje não dava para ouvir outra coisa).

7.3.07

Edwin Morgan na Casa das Rosas


Ontem a Casa das Rosas recebeu a ilustre visita da poesia escocesa de Edwin Morgan, traduzida lindamente pela Virna Teixeira. Chris Mack, músico escocês que aparece com a Virna na foto acima (os créditos são da Ana Rüsche, palmas!), fez a leitura de vários poemas de Morgan em inglês e a própria Virna, além de nos falar rapidamente sobre a vida do poeta de Glasgow, fez a leitura de outros poemas traduzidos por ela.
Enfim, o lançamento foi sensacional, com direito a um legítimo gaiteiro de fole e jantar árabe para os chegados depois. Quem perdeu, perdeu.
P.S. 1: Detalhe: Virna sempre chiquérrima com aquelas onças todas!
P.S. 2: "God bless America" que o homem vem aí! Os tomates tentaram comprar uma bazuca, mas foram informados que o mimo está em falta. Coitadinhos, sequer desconfiam o motivo.
*** "Maybe you have been brainwashed too", New Radicals.

5.3.07

O mundo de Alice


"The poet", Marc Chagall (1911).
Levando-se em consideração que a criatividade se tornou mercadoria rara nessas terras, haja vista que pessoas surtadas andam muito ocupadas praticando rituais autofágicos como triturar e deglutir os próprios dentes, os tomates decidiram picaretar mais um post só para fazer de conta que isso aqui ainda funciona, afinal, o que seria dessas mocinhas incautas se não fosse o mundo de Alice?
E por falar em Alice, é de bom alvitre citar que os tomates (e não as mocinhas) preferem experiências epifânicas com o Chapeleiro Maluco, preferencialmente durante uma cerimônia do chá, à previsibilidade morna dos coelhos, serzinhos desprovidos daquela sagacidade genuína que nos faria esquecer um pouco da avassaladora Síndrome de Sísifo que nos pega pelas pernas todas as manhãs.
Alienação? Imagina! Os processos alienantes da vida humana estão aí, foram edificados em estruturas atemporais e mistificadoras, apartadas dos processos sócio-econômicos concretos. Diante disso, é natural que nos lasquemos com esse monte de processos de dissociação cognitiva implantados nas nossas ingênuas cabecinhas desde o berçário. É por isso, aliás, que os tomates acreditam que o Chapeleiro tinha uma certa veia marxista, senão não teria bombardeado uma perdida Alice com um troço assustador desses: “Se você conhecesse o tempo como eu conheço, disse o Chapeleiro – não falaria em desperdiçá-lo como se fosse uma coisa. É um senhor.”
E chega dessa masturbação mental que os tomates andam passados, murchinhos como seus irmãos de final de feira. Porém, antes de se mudarem definitivamente para o Chagall aí de cima que, coincidentemente, chama-se "O poeta", os tomates deixam vocês com o excelente "Lisbon Revisited 1923", do Pessoa. Divirtam-se!
Não, não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.
Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
[...]
Deixem-me em paz!
Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
*** "Save me", Nina Simone.

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