O meu favorito
Posto aqui um poema - o meu favorito - do grande Paulo Ferraz, poeta contemporâneo de primeira linha e figura indispensável, apesar de rara nos últimos tempos, nas muitas mesas de bar entre amigos.
Um arranjo de flores
Dia desses, notei que
no vaso que exponho-
que o síndico não me es-
cute- na janela-
por uma questão de
luminosidade,
nada mais! - além da
begônia que há meses,
numa luta contra a
natureza dessas
plantas que se compram
já em flor de ambulantes,
cultivo, havia um broto
mínimo de brinco-
de-princesa. Claro
que o impulso imediato
foi o de arrancá-lo antes
que crescesse. Impulso,
pois logo pensei no
porquê de ter (tudo
tem razões) nascido
neste vazo a trinta ou
mais metros de altura:
primeiro, que fora
por minha conduta i-
rregular- mereço
multa?- motivado;
depois, que trabalho
teve o passarinho ou
o vento para ter a
semente trazido a-
té este andar! De mais a
mais, com um certo aperto as
duas plantas- por Deus, o
síndico bem deve
ser cego!- cabiam no
vaso direitinho.
Fim da história, início
do poema: só aqueles
que passaram a noite
numa mesma cama
de solteiro sabem
quanto o amor se espreme.
Paulo Ferraz
*** "Noah's Ark", Cocorosie.Dia desses, notei que
no vaso que exponho-
que o síndico não me es-
cute- na janela-
por uma questão de
luminosidade,
nada mais! - além da
begônia que há meses,
numa luta contra a
natureza dessas
plantas que se compram
já em flor de ambulantes,
cultivo, havia um broto
mínimo de brinco-
de-princesa. Claro
que o impulso imediato
foi o de arrancá-lo antes
que crescesse. Impulso,
pois logo pensei no
porquê de ter (tudo
tem razões) nascido
neste vazo a trinta ou
mais metros de altura:
primeiro, que fora
por minha conduta i-
rregular- mereço
multa?- motivado;
depois, que trabalho
teve o passarinho ou
o vento para ter a
semente trazido a-
té este andar! De mais a
mais, com um certo aperto as
duas plantas- por Deus, o
síndico bem deve
ser cego!- cabiam no
vaso direitinho.
Fim da história, início
do poema: só aqueles
que passaram a noite
numa mesma cama
de solteiro sabem
quanto o amor se espreme.
Paulo Ferraz



7 Comments:
Belíssimo poema. Parabéns pelo blog, Carol. Abraços.
Oi, Carol, nossa fico todo sem jeito de vir aqui e agradecer ao seu post, pois pra mim essa é uma homenagem e tanto, ainda mais vinda de você, obrigado pela publicidade. (estou sumido mesmo, a última foi o aniversário na praça Roosevelt, mas logo volto, ando estudando nesses dias, preciso ter disciplina para conciliar novamente estudo e baladas - e poesia, é claro. Mais beijos)
E aqui está...
Lindo! O Paulo escreve bem né...
Muito bem!!!
O poema é bom sim, gosto dele, mas está longe de ser o melhor do Paulo F. (Vide o antológico "maçã não - maçã não é"!) Uma coisa que me incomoda nesse poema são as inversões quase hipérbatos, acho que o poema só teria a ganhar se fosse amenizados, como já falei pra ele uma vez.
Bjo.
O Paulo realmente tem poemas melhores e mais bem elaborados, Snoop, mas como diz o título do post, esse é o meu favorito!
Não saberia te explicar o motivo, mas eu acho "Um arranjo de flores" lindíssimo. Vai saber porquê?
Besitos e grata pela visita!
Este comentário foi removido pelo autor.
o poesia é mesmo bela
assim como as imagens que traz
falando nelas
linda fotografia
hehehe
risadinhas e beijos
Jardineiros
Postar um comentário
<< Home