Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

1.1.07

Mulherzinhas

Minha família tem uma quantidade impressionante de mulheres, mas acho que já disse isso aqui antes. Ontem, depois de anos sem reunirmos um certo núcleo da família, nós, mulherzinhas, passamos horas rindo e discutindo sobre as dificuldades dos relacionamentos amorosos nesses tempos pós-feminismo. Éramos sete e, ao contrário das personagens de "Little women", da Louisa May Alcott, não havia nenhuma colcha de retalhos no local, mas sim várias garrafas de vinho chileno.
Muitas histórias, garanto, foram citadas com riqueza de detalhes e todas nós tínhamos nossas próprias teorias para explicar o fracasso desse ou daquele relacionamento.
Taí um negócio que acho engraçado nas mulheres: sempre tentamos racionalizar e encontrar respostas para coisas que não podem ser respondidas. Elas somente são, simples assim.
Só sei que no final das contas eu me lembrei de um poema do Keats que seria bem "engraçado" se não refletisse a mais cáustica verdade. Levei o dito cujo no almoço de hoje e todas as moçoilas, sem exceções, concordaram que relacionamentos seriam muito mais fáceis (sempre dentre outras coisas) se não fosse a maldita idealização que vem junto com o amor romântico.
E vocês, meninos, o que acham disso?
Amor moderno
E o que é o amor? É uma boneca vestida com ostentação
para afagar, acalentar e mimar a frivolidade.
Uma coisa de nome falso, tão sublime
que a juventude imprudente cogita amar
para ser sublime e, assim, prossegue
entendiada e extremosa durante todo um longo verão,
até o pente da jovem se transformar em tiara de pérolas
e botas comuns virarem botas de Romeu.
Aí, então, Cleópatra mora na casa número sete
e Antônio reside na praça Brunswick.
Tolos! Se algumas paixões aquecem o mundo,
se rainhas e soldados lutam muito por corações,
nem por isso essas angústias devem ser
mais banais que o crescimento de ervas daninhas.
Tolos! Consigam que volte a ser inteira a pesada pérola
que a rainha do Egito derreteu e eu lhes direi
que vocês podem amar, apesar das viseiras.
John Keats (1795-1821)
***"1979", The Smashing Pumpkins.

3 Comments:

Blogger virna said...

primeiro post do ano com keats. belo comeco! passei por aqui para desejar um feliz 2007, amor e outras realizacoes.

um beijo

segunda-feira, janeiro 01, 2007 8:44:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

eu tenho medo de você.

terça-feira, janeiro 02, 2007 11:58:00 AM  
Blogger ana rüsche said...

que lindo, Maroca! adorei. precisamos nos ver, hoje está um dia corrido, a cidade já se apoderou novamente de minhas estremidades. beijinho

quinta-feira, janeiro 04, 2007 5:43:00 PM  

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