Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

6.12.06

Praça Roosevelt

Faz alguns meses que freqüento assiduamente a Praça Roosevelt, sempre muito bem acompanhada por amigos (as) queridíssimos (as) como a Manu, a Ana Rüsche, o Gê, o Fábio "Snoop" Vargas, a Senhora Vargas e outros tantos fofos. Por lá tomamos nossas cervejas, conversamos sobre literatura, sobre a vida -a nossa e principalmente a alheia- e nos divertimos muito com os atores do Satyros, sempre após assistirmos alguma peça.
Pois bem, foi depois de ver "A vida na Praça Roosevelt" que escrevi este poema (a peça é excelente e merece ser vista mais de uma vez. Recomendo).
Quanto ao poema, não coloquei um título, até porque assumo que dar títulos para poemas não é o meu forte. Tenho calafrios só de pensar nisso. Aceito, portanto, sugestões e críticas. Não tenham medo.

Na ribalta escura
sons passos trôpegos
carregando
flutuantes lanternas
no espaço vazio.
A mulher vestida de
noiva- a barra vermelho-
Marte- esperneia
naquele vácuo.
Ela abraça o abismo
laranja. E chora. Chora.
Lágrimas cítricas,
lágrimas ácidas,
lágrimas de mulher.
O filho morto - decepado-
jazia no centro da praça
(o ventre em náuseas,
queria alcançá-lo)
O abraço tão mais curto,
a ausência
- enorme- ali tão perto
E ela chora.
Lágrimas cítricas,
lágrimas ácidas,
lágrimas de mãe.
Aqui a morte tem gosto de laranjas.
*** "Every breath you take", versão acústica, na voz da Rita Lee. É isso ou eu me jogo daqui do terceiro andar: trabalhos de mestrado podem causar traumas irreversíveis na sua vida.

7 Comments:

Blogger Emanuelle Santos said...

Marossa em fase de produção fumegante! que bom!

Manu gostou, mas manu acha que Chora.
Lágrimas cítricas,
lágrimas ácidas
lágrimas de mulher.

E ela chora.
Lágrimas cítricas,
lágrimas ácidas,
lágrimas de mãe.

Foi essa a aparte que mais gostei. Acho que esse assunto por ele mesmo já é digno de um poema!!!!

FAZ, FAZ, FAZ!

Beijocas
Manuca

quinta-feira, dezembro 07, 2006 5:02:00 PM  
Blogger ana rüsche said...

nossa, vc viu meu post de hj?! tudo a ver! vou linha por linha, ó só:


Na ribalta escura
sons de passos trôpegos
carregando
lanternas flutuantes
[a imagem até aqui tá ótima, mas dá para mexer na sintaxe, tipo "sons passos trôpegos/ flutuantes lanternas", sem os verbos, ou então na primeira pessoa: "ouço trôpegos passos que carregam e flutuam lanternas", algo do gênero...]

no espaço vazio.
A mulher vestida de
noiva- a barra vermelho-
Marte- esperneia
naquele vácuo
[adorei]

Ela abraça o abismo
laranja riscado no
chão. E chora. Chora.
Lágrimas cítricas,
lágrimas ácidas
lágrimas de mulher.
[ela "abraça o abismo" diz tudo, corta esse verso daí]

O filho morto - decepado-
jazia no centro da praça
(o ventre em náuseas,
queria alcançá-lo)
O abraço tão mais curto
que o infinito, a ausência
- enorme- ali tão perto
[aó-ó: dá até para manter o "infinito", mas o lance é que "ausência" vem novamente como substantivo abstrato e já contém toda a idéia que vc quer figurativizar - esse trecho acho que é o mais complicado do poema, talvez o todo até funcione sem ele]

E ela chora.
Lágrimas cítricas,
lágrimas ácidas,
lágrimas de mãe.

A morte tem gosto de laranjas.

[o final tá fantástico - eu escreveria "a morte por aqui tem gosto de laranja" - só para dar uma aproximada. ;) ]

beijinhos, linda, paguei um pau.

sexta-feira, dezembro 08, 2006 11:37:00 AM  
Blogger Carol M. said...

Que linda! Obrigada, AnaR. Vou embonecar o filho, podexá!

Besitos,
Carol

sexta-feira, dezembro 08, 2006 12:16:00 PM  
Blogger Leandro Jardim said...

Caraca, bom pacas!
Que porrada!
Duro mas belo,
como a dor de uma virada!


beiJardins

domingo, dezembro 10, 2006 4:36:00 PM  
Blogger Fábio Aristimunho said...

Achei que faltou um algo mais. Descrever uma mãe lamentando o filho morto tem algumas facilidades que deveriam ser compensadas poralgum elemento atípico - como um olhar diferente sobre o significado da cena, uma metáfora maior ali contida ou o que for. A cena lembra muito uma imagem de guerra qualquer, e aí é queestá a dificuldade em desbanalizá-la. Minha opinião.

Beijo, continue poetando

segunda-feira, dezembro 11, 2006 1:05:00 AM  
Blogger Carol M. said...

Snoop, pensarei sobre isso.
Obrigada pela visita!

Beijinhos,
Carol

segunda-feira, dezembro 11, 2006 10:04:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

uau!
adorei. muito mesmo.
beijo grande.

segunda-feira, dezembro 11, 2006 10:10:00 AM  

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