Ano Novo?
Estou aqui, nessas longínquas terras de São José, curtindo dias extremamente calorentos e razoavelmente calmos. Aproveito para colocar alguma leitura em dia antes de mergulhar de vez na minha dissertação de mestrado. A qualificação está logo ali, saco!
Até o momento, li o delicioso livro do Guzik (vide o post "Coisas da Semana" abaixo), "Cia. de Teatro Os Satyros", na viagem de Sampa até Rio Preto. Também reli meu Neruda e meu Hughes para pacificar certas memórias que surgem sempre que estou por essas bandas de cá.
Dentre as novas aquisições, "A teus pés", da Ana Cristina César, tem tomado quase todo o meu tempo. Maravilha de livro! Foi um perrengue pra achar, vários meses peregrinando pelos sebos de Sampa. Tem também a coletânea do Ítalo Moriconi, "Os cem melhores poemas brasileiros do século", que ganhei da minha mãe de Natal, e uma nova biografia do Che Guevara que ganhei do papai, claro!
Para completar a série, ganhei da minha tia cult uma coletânea fantástica do Gullar, feita pelo Alfredo Bosi, que li na tarde de ontem no café do Cineclube Sesc, antes e depois de assitir dois filmes do Bergman.
Posto então um poema do Gullar sobre o Ano-Novo por ser muito conveniente nessa época do ano e, mais ainda, pra dizer que meu coração continua. Ele sempre continua, apesar de tudo.
Ano-Novo
Meia-noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.
Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça
nada ali indica
que um ano novo começa.
E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.
Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta).
Ferreira Gullar, publicado originalmente em "Barulhos", 1987.
*** "Strange fruit", Billie Holiday.
Até o momento, li o delicioso livro do Guzik (vide o post "Coisas da Semana" abaixo), "Cia. de Teatro Os Satyros", na viagem de Sampa até Rio Preto. Também reli meu Neruda e meu Hughes para pacificar certas memórias que surgem sempre que estou por essas bandas de cá.
Dentre as novas aquisições, "A teus pés", da Ana Cristina César, tem tomado quase todo o meu tempo. Maravilha de livro! Foi um perrengue pra achar, vários meses peregrinando pelos sebos de Sampa. Tem também a coletânea do Ítalo Moriconi, "Os cem melhores poemas brasileiros do século", que ganhei da minha mãe de Natal, e uma nova biografia do Che Guevara que ganhei do papai, claro!
Para completar a série, ganhei da minha tia cult uma coletânea fantástica do Gullar, feita pelo Alfredo Bosi, que li na tarde de ontem no café do Cineclube Sesc, antes e depois de assitir dois filmes do Bergman.
Posto então um poema do Gullar sobre o Ano-Novo por ser muito conveniente nessa época do ano e, mais ainda, pra dizer que meu coração continua. Ele sempre continua, apesar de tudo.
Ano-Novo
Meia-noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.
Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça
nada ali indica
que um ano novo começa.
E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.
Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta).
Ferreira Gullar, publicado originalmente em "Barulhos", 1987.
*** "Strange fruit", Billie Holiday.


5 Comments:
Oi Carol, ah, quantos livros!!! Quero ver os poemas que sairão deles. Bjs
Ih, Paulo, poemas sairão, só não sei se aproveitáveis! Você bem sabe que estou bem no início de uma longa caminhada, então não espere assim grandes coisas.
Aliás, viu o do post de baixo? Fiz por esses dias, mas nem mexi nele. Coloquei do jeito que fiz e ponto.
Beijão e o melhor 2007!
Muito bom esse gullar, não conhecia. E aproveita pra ler coisas legais antes da qualificação, porque depois dela, sem querer te desanimar, as leituras ficam muito chatas.
Festas boas pra nós!
Oi Carol!
Nossa, to lendo o fabio aí. as minhas leituras já andam muito chatas. risos. só ando conseguindo ler coisas muito light, tipo o senhor dos anéis. quando fico tensa ou estudando muito preciso ler coisas que eu não precise pensar, nem usar nem meio neurônio. como eu sou meio maníaca e não consigo ficar sem ler... acabo recorrendo à literatura fantástica e/ou mulherzinha.
Bem. depois eu vou passar aqui com mais vagar e olhar o seu blog com o devido cuidado! Obrigada pela visita, ótimo 2007! E que a gente se encontre sempre! Sinto falta!
E boa sorte pra nós na qualificação!
Um beijo
Nem me falem em qualificação que já sei o que me espera! Quero ler coisas legais para aguentar a chatice que vai ser esse ano por conta da reta final do mestrado.
Todavia, farei o que puder pra não virar uma mongol completa; taí a poesia pra me ajudar a não enlouquecer.
Beijinhos meus aos dois!
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