Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

2.11.08

As mulheres da vez - Toni Morrison

Gente jovem, nossa. Ainda chamam de paixão? Aquele machado mágico que corta fora o mundo com um golpe só e deixa o casal ali, tremendo. Chamem como chamarem, passa por cima de qualquer coisa, pega a cadeira maior, a fatia maior, domina por onde passa, de mansão a brejo, e o seu egoísmo é a sua beleza. Antes de eu estar reduzida a cantarolar, via tudo quanto é tipo de acasalamento. A maioria durava duas noites querendo durar uma estação. Alguns, os da contracorrente, querem ser donos do nome de verdade, mesmo quando todo mundo morre afogado por causa dele. Gente sem imaginação alimenta isso aí com sexo - o palhaço do amor. Não sabem das coisas, das coisas de verdade, das coisas melhores, quando se reduz a perda e todo mundo sai ganhando. Precisa ser meio inteligente para amar desse jeito - de mansinho, sem muleta. Mas o mundo é um tamanho teatro que vai ver por isso é que pessoas tentam superar, colocar tudo o que sentem no palco só para provar que conseguem inventar coisas bonitas: coisas bonitas de arrepiar os cabelos como brigar até a morte, adultério, botar fogo nos lençóis. Elas se dão mal, claro. O mundo ganha delas toda vez. Enquanto elas estão ocupadas se exibindo, cavando a sepultura dos outros, se pendurando numa cruz, correndo feito loucas pela rua, as cerejas estão bem sossegadas passando de verde para vermelho [...].
Amor, Toni Morrison.
*** "Elephant gun", Beirut.

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