Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

13.9.08

Apontamentos sobre o amor - II

Como eu dizia no post anterior, acredito que o amor é uma reação emocional que se aprende. Trata-se de uma resposta para um grupo de estímulos e comportamentos aprendidos e, como qualquer comportamento aprendido, é provocado pela interação daquele que aprende com seu meio, com sua habilidade/disposição para aprender e com as espécies e as forças das retribuições. Retribuições? É isso mesmo: como, quando e qual o limite de cada indivíduo para responder ao amor que expressa.
Daí que o tal amor é uma interação das mais dinâmicas, vivida em todos os momentos da vida, durante toda ela. É tudo a todo instante. Ou pelo mesmo deveria ser assim. Por isso não gosto dessa frase ficar apaixonado/a. Não acredito que ninguém fique ou deixe de estar apaixonado. Isso é minimalismo grosseiro; é equiparar o amor ao desejo, à atração, à necessidade, etc. e tal.
As pessoas podem reagir de uma forma particular, num certo grau, a determinados estímulos específicos. Nisso consiste um indicador visível do amor que sentem. Assim, as pessoas não têm mais amor para se apaixonar ou desapaixonar do que em qualquer outro momento da vida delas. Acho mais preciso dizer que se cresce no amor, isto é, quanto mais se aprende, mais se tem oportunidade de modificar as respostas comportamentais e então expandir a capacidade de amar. Não há muitas opções: ou estamos crescendo no amor ou então estamos morrendo. Dessa forma, então, as ações estarão se modificando durante a vida, assim como as interações.
Se alguém deseja conhecer o amor, deve viver o amor em suas ações. Pensar, ler, escrever ou fazer discursos sobre o amor pode até ser útil, mas em última análise trará pouca ou nenhuma resposta efetiva, posto que tais coisas só têm valor quando apresentam questões para serem vividas. O amor só é aprendido com uma compreensão que nos estimule a partir de cada novo conhecimento, por ínfimo que seja, e mediante o qual se age e reage. É isso ou qualquer conhecimento não terá nenhum valor. Para amarmos devemos viver as questões, mas para vivê-las é necessário que elas se apresentem.
Dessa forma, vivenciando as questões, aprenderemos muitas 'verdades' sobre o amor, entre elas que o amor não é uma coisa, uma mercadoria que se possa comprar, trocar ou vender. O amor não é algo que pode ser forçado ou que pertença a alguém. Ele só pode ser dado voluntariamente, com a maior confiança em si próprio e no outro (deve ser por acusa disso, aliás, que Erich Fromm dizia que qualquer pessoa de pouca confiança é também uma pessoa de pouco amor).
Mas então, por que existem tantas pessoas que se dispõem a vender seu corpo, sua mente e seu espírito em nome do amor? Não percebem que estão profundamente enganadas? Pode-se comprar o corpo de outra pessoa, seu tempo, suas posses, quiçá até mesmo suas necessidades e sonhos mais profundos, mas é impossível comprar seu amor. Contudo, muitas pessoas podem escolher obter o amor por um preço e isto é uma arte dramática que tem sido aperfeiçoada por muitos de nós ao ponto de ser impossível para qualquer um perceber a fraude. E por que não percebemos? Ora, porque muitas vezes não nos encaixamos no tremendo enredo de mau gosto que algumas pessoas insistem em nos imputar. Não há papel para nosotros nesse teatro! Essas pessoas estão tão longe de merecerem sentar ao nosso lado que não há mesmo meios de entender o porquê de algumas delas serem assim como são.
Minto, há sim. Essas pessoas manipulam a realidade facilmente, são tipinhos que usam máscaras e sabem subverter, mentir descaradamente sem falsear. Eu cairia numa dessas; vocês também. E isto pelo ingênuo fato de gente como eu e alguns de vocês terem mais o que fazer na vida do que ficar armando maneiras de foder outras pessoas. Muitos de nós até temos caráter, princípios e tentar explicar porque essas pessoas são como são é perda de tempo: são assim porque não podem nascer de novo. Ponto final.
Trata-se, portanto, de um fato irrefutável: eu e vocês (quase) sempre vamos errar; vez ou outra daremos chance pra quem não merece, para quem não sabe mesmo o que é o amor ou para quem é uma pessoa 'de pouco amor'.
Continuo achando, de qualquer modo, que esses tipos de jogos de amor não são fáceis: o custo é muito grande. Nunca valem o preço.
*** "Suddenly I see", KT Tunstall.

1 Comments:

Blogger Paulodaluzmoreira said...

Amores são muitos. Olha a Dona Hilda o que diz sobre um deles:
Cantares do sem nome e de partidas
I
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

terça-feira, setembro 23, 2008 1:05:00 AM  

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