Os dados sobre o pano verde
Sobre a questão do merecimento, não me parece lógico também, mas nesses momentos de desespero, começo a considerar essas teorias metafísicas, esses dogmas religiosos a fim de procurar uma resposta praquilo que sequer foi questionado. Quando me sinto em frangalhos como hoje, penso que devo ter sido um pessoa bem ruim em outras vivências e que talvez essas dores todas sejam pra me fazer 'expiar' alguma coisa que nem eu mesma sei. São conjecturas idiotas, eu sei, mas de certa forma me dão a ilusão de que um dia terei uma resposta pra tudo isso. Sei também que são nesses momentos que crescemos mais, mas às vezes me pergunto pra que crescer e tentar ser alguém melhor, mais centrada (e repleta de auto-conhecimento) se vou continuar engolindo esse lixo todo e, veja, eu não sou melhor do que ninguém e nunca quis bancar a Grace! Eu realmente me preocupo com os outros, e não é porque quero fazê-los gostar de mim ou porque acho que assim serei "aceita" ou "amada", mas porque fui de fato criada pra gostar de gente. Quando eu era criança, por exemplo, meu pai levava crianças de rua pra comer na minha casa e brincar comigo, me levava pra visitar hospitais. Minha escala de valores parece não ser muito compatível com o que vivemos. Enfim, eu de fato gosto de pessoas, mas ultimamente elas têm me dado medo e, muitas vezes, nojo, muito nojo.
Veja esse último episódio. Nesse caso, garanto que não houve idealização: sabia bem das instabilidades, mas estava feliz ainda assim porque nos dávamos bem e aprendi faz um tempinho que as pessoas têm suas instabilidades, medos, neuroses, frustrações... Eu tolero muita coisa, porque também sou imperfeita, neurótica e 'n' outras coisas nesse sentido, mas respeito, por exemplo, não é algo que dê pra passar sem, ainda que vez ou outra todos nós escorreguemos pra lá e pra cá. A pessoa enganou todo mundo, sabe? Ou você acha que Y e Z, por exemplo, estão putos porque sempre foram meus melhores amigos e amam minha doçura e meus olhos castanhos? Não, é porque essas coisas chocam, magoam. É porque você percebe que uma pessoa dessa tem uma escala de valores tão maluca que acha que o que fez é tão inofensivo quanto furtar um lápis. E é nesse momento que eu me sinto uma idiota, de novo, e fico me perguntando qual é o meu problema afinal pra não saber diferenciar gente que definitivamente não vale a pena de gente que pode até valer.
Aí eu volto ao ponto final do primeiro e-mail: será que sou imbecil? será que sou ingênua? Em caso positivo, o que eu posso fazer pra me 'adequar'? Eu preciso mesmo me adequar? O problema sou eu e minha visão idílica de mundo ou são as pessoas que são cada vez menos 'pessoas'? Qual o lado certo nisso tudo?
O mundo me parece cada vez mais cindido. E acho que tenho informações demais nas mãos. Isso confunde qualquer croupier.
*** "Antichrist Television Blues", The Arcade Fire.


2 Comments:
Babe, as pessoas já não são mais pessoas faz tempo... Porém, continuamos amando pelo prazer de amar, e nos fodendo, pelo prazer de superar... É tudo muito doente.
o que sei é que você tem uma alma e que ela não é pequena. na verdade, se essa história de vivências - em que cada dia acredito mais - de fato assim for, você, minha querida carol, é um espiríto bem antigo. beijos com saudades. pm
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