Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

12.7.08

Donny Correia


Estudante de Letras na Unibero. Poeta e tradutor, é produtor cultural da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.
Crepúsculo

E com a seda da navalha risonha
Alice acaricia o pulso
A vida lhe escapa de um soluço
E o sangue ralo beija a fronha
*************************************************************************************

Os Paradoxos Crônicos

Para Carmen Reis

E perguntas que dor trago secreta
A roer minha alegria e juventude?
E em vão procuras conhecer-me a angústia
Que nem tu tornarias menos rude?

Lord Byron

I

estradas /fragmentos de/
tri
quadrifurcadas

elementos de dor e prazer revezando-
se /r/

dizemos um ao outro que a miséria
é impulsiva, estática e insolúvel

dizemos que damos voltas no vácuo
e voltamos ao zero
como se o zero fosse a morada única
de nós (...) e que assim será

sou uma lata de anchovas lacrada
meu cérebro de aço oxidado
me fez desertá-la
mais do que desejá-la

você, em suas certezas, cerrou
a chave da razão
se eu não caibo,
/logo/
não existo
degenero e morro

se você não pode entrar por essa porta
prefere chutá-la não para abrir,
mas
para exilar

eu rastejo num mar de espinhos
cada um deles com um nome
um signo de pobreza afetiva
esses espinhos serão coroas
você usará as coroas?

II

como Kippling à cova de Gunga Din
profiro:

you’re far better human than me

empurrar teu coração para longe
não denota repulsa, mas cautela
se o homem mata tudo aquilo que ama
então, não sou homem
sou limbo, sou gauche
amor que não mata
amor que transcende
e que não adentra tuas razões

III

vivemos no tênue fio da faca que separa
o carinho e a indiferença
como se fadados a equilibramos
nossos corpos cansados
no trapézio do dilema
no gume cego da contradição

não é mais tempo de amor
nem de ódio
o tempo é uma bigorna
o tempo tem o peso dos orgasmos
e dos insultos

mas o tempo muda os escombros
e reergue fortalezas
reduz a dor e cura os engulhos
o tempo refloresta o deserto
e engole as contradições

IV

de todo desespero descabido
serei escravo, quando em cada gota
de aniquilação nas retinas insones
sua silhueta branca vier cobrar meus
erros

alive-history
alive-history