Paulo Moura
É advogado e mestre em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo. Tem poemas publicados pela revista FNX da Academia de Letras da referida faculdade. É co-fundador do coletivo Vacamarela, entidade que edita o jornal de literatura contemporânea O Casulo e organiza a FLAP!.
Paulo é um precursor da poesia alheia [veja o manifesto completo aqui].
Querida
você tem razão,
isso aqui acaba sendo
um exercício escolástico,
às vezes a gente até sabe
que está errado,
mas ainda assim
vamos discutindo
pelo gosto
de discutir.
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De Paris
se ainda houver alguém,
essa mensagem é só para dizer
que este é meu último dia
de paris - espero que o último
com esse maldito teclado.
balanço? não, daqui não
sairá um romance nem
um poeminha sequer.
baudelairianamente falando,
andei por toda paris.
cruzei-a de ponta à ponta:
todos os meios de transportes
(quer dizer, menos barco).
talvez essa seja minha maior impressão,
que mais que lidar com paris,
tive que lidar comigo mesmo.
quando a boca cala,
sobra mais tempo
para mente inventar coisas.
gostei da bagunça em meio a toda
ordem meio clássica, a toda a "razão".
paris muda, disse baudelaire
-errou. paris quase não muda.
o que muda é a sua periferia.
muito rica, com todas as
contribuições possíveis,
na paris que todos conhecemos
ouve-se um pouco de tudo.
menos francês...
(ainda há algumas horas para flanar).
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Mágoas
se foi-se é foice,
então, cálice,
digo, calo-me
e digo
que é criativo
mas não inovador.
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O que é sentido?
o que é sentido?
juro que jamais
entendi essa crítica.
como disse o octávio paz,
as imagens
não nos levam a outra coisa
como acontece com a prosa,
mas nos colocam diante
de uma realidade
concreta...
orações e frases são meios.
a imagem não é meio;
sustentada em si mesma,
ela é seu sentido.
o poema não explica
nem representa:
apresenta...
a imagem não explica:
convida-nos a recriá-la
e, literalmente,
a revivê-la.
era só isso.



2 Comments:
Muito bom o dossiê Paulo-M. Tô achando que tá quase na hora de uma coletânea, mas já sei que ele iria invocar a (velha) deslegitimação da poesia alheia.
Saúdos,
Fábio
um dia, fabiov, ainda vou - não abandonar a poesia alheia, mas - abandonar a menção à técnica. entre muitas outras, revistas de viagem são uma boa fonte. imagine: um lugar, uma foto, um monte de referências e a possibilidade de ser, em silêncio e às escondidas, infiel... mas isso fica só entre você, a carolm e eu.
abraços!
pm
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