Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

28.8.07

Uma história engraçada.

Os tomates tentam ser sérios, mas de vez em quando acontecem umas coisas muito engraçadas na minha vida mexicana, coisas que não posso deixar de lado. E, como ando com a alavanca da compulsão e da insônia ligada em 300 volts, não poderia deixar de contar essa história que aconteceu hoje de manhã.
8:OO da manhã. Eu tinha acordado depois de cochilar por duas míseras horas por causa daquele artigo atrasadíssimo que preciso mesmo entregar. Cabelo ainda molhado do banho tomado às 3:30 da manhã, olheiras gigantescas, escorrendo pelas bochechas, calça de moleton dos tempos em que eu corria todos dias, adidas no pé, blusa de malha preta (e eu lá gosto de outra cor?), jaquetinha jeans da Gap, comprada num outlet em 2001 e muita, mas muita preguiça de fatiar o papaya, fazer as torradas, esquentar o leite e passar um café.
Vou tomar café na padaria, é isso. Arrumo a cama, passo um gloss e bato a porta apressada. Um vento gelado no corredor e eu pensando sobre a estranha relação entre o IDH e os malditos serviços ambientais, sobre o porquê do Amartya Sen ter sido só o co-autor desse índice criado no âmbito do PNUD lá na década de 90. 'O economista indiano que coordenou as pesquisas deve se sentir um loser', pensava.
Aperto o botão do elevador, que demora. Desço pela escada; são só três andares. Estou passando pela portaria e o porteiro me chama: contas pra pagar, postais da Alemanha (o Thorsten finalmente mudou de Nürenberg. Klar!) e de Boston, convites pra mostra de arte da galeria xis e um bilhete escrito à mão da prima que mora nas redondezas.
Observo aqueles papéis todos nas mãos. O porteiro pergunta: Carol, você sequer colocou o pé pra fora de casa ontem. Você está trabalhando em casa? Eu: sim e não. Estou desempregada, mas tenho coisas muitas pra fazer, daí que prefiro fazer em casa ao invés de ir pra biblioteca da faculdade. Ele: mas o que você deseja da vida? Eu: Hummm, er, cof, cof, então, nesse horário da manhã acho difícil pensar em alguma coisa. Mas se serve de consolo, eu ando desejando mesmo mudar de apê, de preferência pra um com janelas bem grandes (omito que prefiro um prédio com porteiros que ignorem que o fato de eu morar já há uns três anos no mesmo lugar não lhes dá o direito de fazer perguntas existenciais logo cedo!). Ele: puxa, mas então por que você não muda? Eu: porque estou desempregada e não posso fazer nada muito drástico por enquanto, falo andando pro portão, doida pelo café e pelo pão com polenguinho na chapa que o Luis da Madadayo faz. Ele: ah, sabe, eu acho que você podia deixar o cabelo crescer mais, está muito bonito assim. Eu: obrigada.
Bato o portão, caminho apressada até a padaria. Braços cruzados, um frio de matar. Luis, me faz aquele pão. Também quero um café com um pouquinho de leite. É pra já, minha linda! Aliás, o que você faz aqui tão cedo? O que é mesmo que você faz da vida? Ah, Luis, eu deixo o cabelo crescer...
*** "Moon over Bourbon Street", Sting.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Hehe... está bom do jeito que vc preferir...

quarta-feira, agosto 29, 2007 12:52:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Madadayo?! Conheço essas plagas.
Forte Abraço

quarta-feira, agosto 29, 2007 12:56:00 PM  
Blogger Julia said...

Querida, da próxima vez manda o porteiro ir catar coquinho e me chama pra padaria hein.
Beijoca

segunda-feira, setembro 10, 2007 3:40:00 PM  

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