Pó de estrelas
Sumário Astral
I
Em forma humana
e habitado pela linguagem
lanço os dados
e abro os livros.
Ninguém dança persuadido.
Os braços se erguem unicamente
para bater com as mãos,
não para traçar algum signo.
Observo os detalhes do fogo
pintado para parecer uma cara.
Todo mundo se pisa.
Descascam os futos e não comem.
As bandeiras são da cor do caos,
e a serpente é a senhora dos viventes.
O sal não evita que o mar apodreça,
nem as letras correspondem ao trabalho.
A prova é que o poder atua como único centro
e no mundo se produzem artifícios
que compactuam com todas as conclusões (e gêneros
de especulação) que seria conveniente abandonarmos.
A força ds rochas não pensa.
Escrevo signos e letras
em couro de boi.
Translado ao pensamento
a terra, o céu e a água
e lanço areia sobre um espelho
para observar desenhos imprevisíveis
ou para traçar uma letra.
Ano após ano,
esgaravato a terra com as unhas
para poder cortar a sombra
que me ultrapassa e penetra as raízes.
Joan Brossa. In: Sumari Astral.
*** "First Rendez-vous", Yann Tiersen.


3 Comments:
Essa é bela...
Porque eu também sou feito do resto das estrelas, moça!
Beijoca
Brunø
fazia tempo que eu não passeava por aqui.. ótimos textos hein carol?
nos vemos na flap?
bjao!!
Darling, parte de mim, agora inspirada por felicidade e não mais decepção volta se expressar por meio da escrita ... quem me dera ler mais, escrever mais e pintar mais... adoro o seu blog. É inspirador! Bisous!
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