Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

3.5.07

Baile de máscaras

* Robert Doisneau, "L'enfer".

Ando tendo embates freqüentes com pessoas queridas sobre a utilidade do uso de máscaras nesse nosso mundo insano e talvez eu tenha uma visão meio polianesca sobre isso: creio que por mais que a vida em sociedade exija que encarnemos diferentes papéis de acordo com o meio social em que vivemos, essas personagens-função que interpretamos não podem e nem devem ser constantes a ponto de descaracterizar o que realmente somos ou, melhor, aquilo que pensamos que somos, caso contrário seria melhor deixarmos as fantasias de pierrot, mulher-maravilha e bob esponja no armário e tatuarmos logo um código de barras na testa.
Mas o que tenho constatado, ao contrário, são as personagens-função se apropriando do indivíduo (e da sua "natureza básica") quando na verdade ele é quem deveria se utilizar das tais e infinitas personagens a fim de delimitar o que é o dele e o que e o que não é.
Segue um trecho de um poema da Sylvia Plath que trata mais ou menos disso e que me emociona a cada vez que leio.
Mirror
[...]
Now I am a lake. A woman bends over me,
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully.
She rewards me with tears and an agitation of hands.
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish.
In: PLATH, Sylvia. Crossing the water. New York, Harper Perennial, 1971.
*** "I'm a fool to want you", Chet Baker and Elvis Costello.

7 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Pelúcia, você continua complexa e por mais que você não acredite eu ainda penso em você depois destes anos. Assim peço você em casamento e eu me mudo para São Paulo amanhã.

Mil beijos.

sexta-feira, maio 04, 2007 12:21:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

O problema maior é quando não nos avisam que a festa era à fantasia e a gente vai com nossa roupa do dia-a-dia, fica ali no cantinho da festa amuado e acaba nem aproveitando. Por outro lado, quando a gente JÁ SABE que todos estarão fantasiados - ou mascarados como vc disse - aí não tem por quê se chatear e, melhor, dá até prá dar umas boas risadas da cara de todo mundo. That's my "welcome to adult world" way of life. Beijos infinitos.

sexta-feira, maio 04, 2007 10:55:00 AM  
Blogger Carol M. said...

Amiga, saudade de você! Muito bom te ver por aqui, até porque você sempre foi uma das minhas maiores incentivadoras.
Comentários pertinentes como sempre.

Querido anônimo, não imagino como você descobriu esse blogue aqui, mas espero sinceramente que não esteja querendo infernizar também minha vida virtual.
Você já sabe o que eu penso a respeito dessas coisas e adoraria que você superasse tudo e fosse morar em outro lugar: uma das coisas boas dessa cidade é que você está muito longe daqui. Tks.

sexta-feira, maio 04, 2007 2:41:00 PM  
Blogger Leandro Jardim said...

Talvez nós somos sejamos sempre vários, não?! Já escrevi um pouco sobre este tema...

http://florespragasesementes.blogspot.com/2006/07/presente-do-subjetivo.html

sobre meu texo recente:
na verdade o poema todo é uma piada nascida do (e para o) verso-palavra derradeiro... o título, então, mera consequência pra emprestar mais diversão... mas pelo que me lembro você não é tão partidária dos poemas piadas... hehe

beiJardins

ah! Belíssimo o poema da Plath

sexta-feira, maio 04, 2007 4:01:00 PM  
Blogger Del Candeias said...

Rá! Muito legal seu blog, Caroleam!
dskabdkbsakdsdnskldsa
Pois é, no caso, temos aí as monadinhas dispensáveis da vida; todas com suas roupinhas de alferes. Como diria, se não me engano, Rimbaud: "Meu maior medo é que as pessoas me vejam como as vejo". siahus
uaihsiasa
No caso.

Beijoseam.

sábado, maio 05, 2007 6:19:00 AM  
Blogger Carol M. said...

No caso, Dealeam! Como disse uma amiga minha, "esse mundo anda muito mal frequentado, Carol!", hahahaha!

Beijinhos e tks pela visita!

sábado, maio 05, 2007 4:04:00 PM  
Blogger Unknown said...

clap clap clap...


palmas em posição ortostática aos doutores palhaços deste mundo medíocre... eles merecem!!!


e além de super doutores, eles são anônimos... tô passada...

=~~~

divas merecem cortejos de Homens... com H maiúsculo, que assinam em baixo.

domingo, maio 06, 2007 10:54:00 AM  

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