Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

17.7.07

Intermezzo

Enquanto novos poemas não saem nessas madrugadas insones e mais uma aeronave despenca solenemente do céu...


1. Mas viveremos

Hoje quedamos sós. Em toda a parte,
somos muitos e sós. Eu, como os outros.
Já não sei vossos nomes nem vos olho
na boca, onde a palavra se calou.

Voltamos a viver na solidão,
temos de agir na linha do gasômetro,
do bar, da nossa rua: prisioneiros
de uma cidade estreita e sem ventanas.

Mas viveremos. A dor foi esquecida
nos combates de rua, entre destroços.
Toda melancolia dissipou-se
em sol, sangue, em vozes de protesto.

DRUMMOND. A rosa do povo, p.162.

2. Smoke poem

A fumaça
que sobe do cigarro
numa sala
mal iluminada

roça o nariz
tateia os olhos
e logo desaparece
na sombra

- As idéias se recolhem
absortas na fumaça.
Aqui, perdoem,
não há nenhum pensamento.

FERRAZ, Heitor. Hoje como ontem ao meio-dia, p.49.

*** "Smile", Madeleine Peyroux.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Poema triste (Mário Quintana)

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Sim darling, que as mudanças do Tempo nos traga esperanças... Bisous,

Ana C.

quarta-feira, julho 18, 2007 10:53:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Poema triste (Mário Quintana)

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Sim darling, que as mudanças do Tempo nos tragam esperanças...

Bisous,

Ana C.

quarta-feira, julho 18, 2007 10:57:00 AM  

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