Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

3.12.08

Diálogos - II

C.,

Há um tempo, separei muito claramente para mim as funções de determinados "amigos". São pouquíssimos aqueles a quem posso me abrir. Não descobri isso de cara. E não é que todos esses com quem eu não posso me abrir não se importem comigo - ou que eu não me importe com eles - mas simplesmente não são capazes de se doarem o suficiente a ponto de quererem ouvir - porque ouvir vai muito além de captar as informações, ouvir é tentar escutar o mundo com a sensibilidade que é do outro, e não nossa; com os valores que são do outro, não os nossos -, e, ouvindo, de posteriormente ajudarem - e ajudar não é resolver o problema, mas antes de tudo expor o nosso ponto de vista sobre o que se ouviu, mas respeitando o ponto de vista do outro, e respeitar o ponto de vista é também respeitar os limites, respeitar a sensibilidade alheia, mesmo que os limites não sejam os nossos, e mesmo que não concordemos plenamente com eles.
Não descobri de cara que não deveria me abrir pra determinados "amigos". Antes, eu precisei me magoar inúmeras vezes, porque alguns simplesmente não ouviam muito - sabe aquele lance de não prestar nunca atenção ao que você fala -, outros só zoavam - e não por mal, era o jeito deles -, outros me deixavam mal - não por serem sinceros ou exporem opiniões divergentes, mas por me diminuírem, por me enquadrarem, erradamente, em coisas que eu não sou.
Dessa forma, passei a me preservar mais. Não é que eu não mencione, vez ou outra, coisas para estes amigos, mas tomo muito mais cuidado ao falar e principalmente sobre como falar, porque sei que isso pode sempre se voltar contra mim. Posso ficar mal por não receber o retorno que eu esperava. É preciso, então, saber o que se pode esperar de x e x pessoa.
Não necessariamente eles são apenas "amigos de mesa de bar". Ou melhor, podem ser "amigos de mesa de bar" e o "bar" não é sempre um bar, mas uma rua, um cinema, qualquer lugar. Porque o que define essa colocação "mesa de bar" é a superficialidade do contato. E ultimamente venho saturado de mesas de bares, isto é, de pessoas que não estão dispostas a ter uma troca mais profunda comigo.
É quando esses amigos perdem - ou reduzem - sua importância em nossas vidas. E isto é, na verdade, a "resposta" que posso dar. Não se trata de elaborar um troco, uma vingança, mas simplesmente de compreender o que eu ganho com x e y situação.
[...] Outro dia, você me enviou um e-mail dizendo que não deixaria de esperar que as coisas fossem melhores - ou algo como. Eu li, e entendo, e respeito, mas temi, e temo por tudo o que disse acima, a dor que isso possa lhe causar.
Eu estou aqui. De verdade. Às vezes imerso nas minhas angústias, mas você pode contar comigo. E isso, entenda, é raro. Desculpe bater nesta tecla, mas: não se pode esperar muito das pessoas, não se pode esperar muito da vida.
M.
*** "Mr. Tough", Yo la tengo.

4 Comments:

Blogger felipe oliva said...

há algum tempo era tão fácil não entender essa última frase. não mais. o mundo vai disminuyendo e eu incrivelmente cabendo nele. mas minha história não trai minhas esperanças, e nem a de ninguém. o diagnóstico da desesperança é fácil e falso.

um beijo pra vc, felipe oliva.

quarta-feira, dezembro 03, 2008 11:46:00 PM  
Blogger Eliana Mara Chiossi said...

Carol,

não sei mais muita coisa sobre amigos.
Já tive critérios tão variados e tive perdas tão estranhas. E quando não entendia bem uma estranheza de um amigo antigo, era brindada com a chegada escandalosa de um amigo novo.
Talvez ter amigos seja como estar em trânsito. Ou nada disso.


beijos

quinta-feira, dezembro 04, 2008 5:53:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

rs. eu também acho que esse diagnóstico da desesperança é falso e fácil. =*** beijos de uma amiga em trânsito.

sexta-feira, dezembro 05, 2008 5:06:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

As pessoas não são boas, I think that's well understood.

sexta-feira, dezembro 05, 2008 11:09:00 PM  

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