Ecos
Leio muito, mais do que o recomendado para esse momento. Leio. Leio. Leio sem parar. Cinco livros em um único mês. O motivo? Não arriscaria dizer.
Hoje, porém, achei um rabisco na gaveta da escrivaninha - e há tantos por lá! Fechei os olhos e meus dedos pinçaram um projeto de poema. Não é de todo ruim, mas está dramaticamente longe de ser bom. Rabisquei uma segunda versão, só pra provar que ainda sei como é que se respira. O resultado não é nada animador, mas ainda assim deixo o meu pudor recém-adquirido de lado e coloco aqui uma suposta segunda versão. Podem palpitar, se assim o quiserem, mas aviso que sei quanto suor ainda será preciso se quiser que isso seja, de fato, um poema.
The morgue
Enlouqueci,
antes: o músculo pútrido
posto à prova,
- la sangre.
Mármore negro
tão frio: enlouquecemos
Mas antes a serra
colocada ao lado, eu e você
- la vida.
Sonhos triturados
tão ingênuos: enlouquecemos
Cismas, a vida chovendo
da janela do terceiro andar
Mas isto foi antes: vazio
- up, down, up, down
Foi ontem: acho que enlouqueci.
*** "Light and day", The Polyphonic Spree.


9 Comments:
olá, agricultora,
h. g. wells disse certa feita q. "nenhuma paixão no mundo é mais tentadora do q. a de alterar os esboços do outro". então, revelar esboços é sempre um ato de coragem.
posso ser sincero? vou ser, então: gosto da repetição do verbo enlouquecer nos dois tempos diversos, de "Mas antes a serra colocada ao lado" [bela imagem!] e de "Cismas, a vida chovendo" [outra boa passagem]. mas ñ me agrada na mesma medida a continuação do poema. para mim o poema poderia acabar em "chovendo".
há algo na pulsação dele q. ñ se estende além disso. mas é algo q. sei q. v. leria com enorme dignidade.
bjs.
Ruy,
Que prazer tê-lo por aqui! Muitíssimo obrigada pelas sugestões. Anotadas.
Pode deixar que farei a lição de casa e o aviso se e quando conseguir melhorar os rabiscos acima.
Beijocas!
carol,
me mande, por favor, seu e-mail, pra
ruyvasconcelos@gmail.com
tenho algo pra lhe enviar.
e ñ cobre demais de v.
v. está no caminho certo
seu mundo está pronto.
bjs.
olha eu aqui te enchendo de novo Cá... Achei muito sinestésico e transcendental! brincadeira ( quis fazer algum comentário inteligente mas creio q não deu certo rss)
Achei livre e familiar :) Lembra trapo do Álvaro de Campos
Bonito.
Ah, muito pelo contrário, está ótimo.
O que não prova que vc respira, mas, novamente, que tem ótimos instintos.
Trabalhe nele um pouquinho mais e ficará perfeito, embora eu já ficasse com ele assim.
A fábula da coruja e seus filhotes, que tiveram os olhos furados por excesso de carinho.
Beijo./
uau... depois destes comentários profisionais vou apenas declarar minha despreparada opinião...
pra mim está pronto!!!
um belo poema e uma sensação não clássica de enlouquecer, como uma coisa boa e libertadora.
quero enlouquecer depois de ler vc.
amo demais
=***
tharita
Obrigado pelo comentário em meu blog. Foi muito bom conhecer seus tomates.
não achei nada dramaticamente longe de bom, não.
hehe
bj
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