Thiago Ponce de Moraes
Thiago Ponce de Moraes é poeta e editor da revista Confraria do Vento. Estuda Literaturas Inglesa e Norte-americana na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa a obra de Fernando Pessoa, é membro do Coletivo Vacamarela e da comissão organizadora da FLAP! Rio. Seu primeiro livro de poemas, Imp., foi publicado em dezembro de 2006. Escreve diariamente no blogue www.thiagoponce.blogspot.com.
Sobre a superfície
Assim principia: esculpes areia, é escuro. Sem rugas
darias fisionomia às datas - incólume paisagem no
entulho.
De passagem, prestes também ao inefável, emudeces,
mudas de figura: abbild und nachbild perdes, tudo
perdes, é escuro.
Ausência fia restos de sombra, vaga ressonância,
vultos: o não-dito, rente ao alcance que então significa,
esculpes.
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Psicotecelagem da vida cotidiana
Se não tiro das idéias
A singela tecelã...
Oh, tão bela tecelã,
Teça as bordas da manhã
Teça as bordas feito teias,
Feito veias, feito lã.
Se não tiro das idéias
A singela tecelã
Algum motivo deve haver?
Ouvi dizer que deve haver.
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Alheamento
Aqui jaz sob
Sono
Retorno algum.
Aqui jaz. Folhas
Ao longo e ao largo
Sonhas
Simples números, traços, coisas
Simples.
Tens pouca luz, tens
Bastante;
.........Entanto
Nadas - íris verdes -
....Juras.



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