Juan Gelman
Dizer
o que é este corpo meu/ interminável
arde/ teus peitos
movem em duas a noite/
e ele morrevive em teu entender/
come os livros da sombra/
és tu não conhecida formosura/
a que se esconde em tua formosura/
sol deste exílio/ que
segues/ giras/ eternidades/
até a clara escuridão/
O momento
me disse que me alegre/
"Deus já te deu 50 anos sobre o mundo"/ ela me disse/ e
não sabe/ nem suspeita que/
sob os panos de meu coração/
não há diferença entre os dias que vivi
e os dias antiqüíssimos em que Noé viveu/
no mundo só tenho esta hora/
este agora que sou/
mostra seu rosto e
como uma nuvem/ passa.
GELMAN, Juan. In: Com/posições. Edição bilíngüe. Tradução, introdução e notas: Andityas Soares de Moura. Belo Horizonte: Crisálida, 2007.
*** "Baby", Os mutantes.



3 Comments:
Oi, Carol! Tudo bem? Estou meio ausente - nem tanto - desse mundo virtual. A vida já está mais corrida que sempre, cheia de compromissos e coisas inadiáveis (geralmente as menos importantes). Enfim.
Tenho - é verdade - passeado menos pelos blogs. E ainda vou voltar com as postagens diárias (estou com várias coisas legais aqui).
Você está postando aqui vários poetas pouco conhecidos no Brasil. Isso é ótimo.
Beijos!
Ahh, que comentário sem graça. Relendo, risos, percebo que o sono faz coisas esquisitas.
Bem, o sono também dá uma postura de escrita interessante, que não se assemelha a esta desleixada que ora vai.
Beijo!
boa carol!
e viva mutantes,vivavaia!
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