Ano Novo, de novo.
Vincent Van Gogh, Starry Night.O tempo do cabelo não é o tempo do homem,
o tempo das tuas mãos gira noutro sentido,
eu não tenho mais tempo do que nunca foi tempo
e o futuro é uma cruz no dorso
dos que ainda têm dorso.
Amanhã viajaremos até ao ontem nu
como um zero a uma cifra.
Amanhã vou instalar-me em tua voz,
sobre um tempo distinto
do tempo que percorre as palavras.
Amanhã habitaremos
a absoluta coincidência sobre um ponto
do começo ao fim
do que não era um ponto,
mas o tempo de um ponto.
Só um zero é distinto de outro zero
e algo começa a contar tudo de novo a partir dessa diferença.
Há um tempo do olho
que deixa de olhar para trás ou para diante
e se detém em si mesmo.
E há um tempo do tempo,
do encontro do tempo com o tempo,
um transcorrer já sem testemunhos,
uma duração duração.
O ponto é o resumo.
É necessário vigiar o ponto.
Sobretudo este ponto final.
Ou talvez o que segue.
JUARROZ, Roberto.
*** "Next year, baby", Jamie Cullum.
(Música incrível do novo queridinho do jazz, o britânico Jamie Cullum. Além da melodia deliciosa, a letra cai como uma luva nesses dias. Feliz Ano TODO para vocês!
Next year, things are gonna change
Gonna drink less beer, and start all over again
Gonna read more books, gonna keep up with the news
Gonna learn how to cook, spend less money on shoes
I’ll pay my bills on time,
and file my mail away, everyday
Only drink the finest wine,
and call my Gran every Sunday
Resolutions, baby they come and go
Will I do any of these things?
The answers probably no
If there’s one thing I must do, despite my greatest fears
I’m gonna say to you, how I felt all of these years
Next Year
Next Year
I’m gonna tell you how I feel
I‘m gonna tell you how I feel)


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