Hay tomates!

Porque tem coisa nesse mundo.

13.3.09

Das coisas que não se lê (mas deveria)


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todos os dia
Que morres no amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo.
Que te renovas todo o dia
No amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo.
Que és sempre outro
Que és sempre o mesmo
Que morrerás por idades imensas
Até não teres medo de morrer
E então serás eterno.

Cecília Meireles, Cântico VI.

E digo que a Cecilinha teve os seu Cânticos relançados por uma dessas editoras poderosas aí, que deram pra usurpar o sacro ventre dessas mulheres incríveis e publicá-los em livros como se fossem receitas de pudim de pão barato. Barato? Ah, é, mas nem isso os tais livros são! O IMS- Instituto Moreira Sales -, por exemplo, lançou um livro com a obra (quase) toda da Ana C. - todo rosa, como se ela precisasse disso pra ser sensacional! - e está cobrando a módica quantia de 70 Reais! Um abuso, não acham? Ainda bem que elas não precisam das lágrimas e das astúcias femininas todas pra serem mulheres talentosíssimas. Elas apenas são.
Aliás, nessa linha é-cor-de-rosa-shocking, a Ana Rüsche está ministrando um curso lá na Alceu. Apareçam: está rolando uma ginástica com umas "senhouras" bem incríveis e que permanecem intactas depois de terem tido o ventre igualmente usurpado por editoras e coisas malévolas assim, toc, toc, toc.
Au revoir!
*** "Dancing with myself", Nouvelle Vague.

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